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19 de setembro de 2010

zeppelin



Mais um longo dia de quebra-cabeças com o plano de filmagem. São muitas as variáveis da composição: filmagens diúrnas, filmagens noturnas, 12 horas de trabalho e 12 horas de descanso, datas de locações, datas que um ator não pode, datas que outro ator não pode, e mesmo assim a concentração de cenas nas diárias de cada ator para que não fiquem trabalhando de pouquinho em pouquinho, começar pelas externas para ter as internas como opção chuva, equilíbrio entre cenas muito difíceis e cenas menos complicadas, tempo para a arte construir o cenário, tempo para a fotografia criar a luz, tempo para o som se preparar, tempo para maquiagem e figurino, e ainda o precioso tempo para a direção fazer todo o trabalho que tem de ser feito com calma e concentração.

Diante de uma tela de computador, as experiências passadas se mesclam com a imaginação do futuro, e todas as questões são abstratas e presentes. Kaia encontra Condessa num vôo com restos de festa no chão, que não pode ser filmado com os restos de festa no chão; Reka tem mistério e sedução no olhar e é diretriz do filme; Conde traz a festa na carroça, Olga e Goran bailam na taverna; Sava vai para Quito; não se pode deixar a feira montada; que horas é um entardecer?

Tem horas que a cabeça trava e é preciso usar o corpo. Neste domingo cinzento, fiz pães zeppelins. Junta os ingredientes da "esponja", mistura e deixa crecer por duas horas. Subo para o plano. A esponja crescida, mistura-se todos os outros ingredientes para fazer a massa. Enquanto vou misturando as farinhas, sovando a massa na mesa, as peças do quebra-cabeças se soltam e, livres, muitas vezes se encaixam num bom lugar. Enquanto espero o pão crescer, volto mais solta para a frente do plano de filmagem. Este zeppelin é de longa feitura, é preciso esperar a massa crescer em três períodos diferentes. É pra fazer aos domingos... trabalhando em casa, e descendo pra cozinha a cada duas horas.

Hoje, depois de comer o pão no café da manhã, entrego uma primeira versão do plano de filmagem de Paulínia. A partir deste, a equipe pode começar a se organizar nos tempos; mas jamais pensar que ele é definitivo. O cronograma é um organismo vivo.

18 de setembro de 2010

LEITURA DE ROTEIRO (agosto 2010, penúltima leitura...acho que a última só no set!)


 

Leitura de roteiro em agosto de 2010, com quase toda a equipe confirmada e reunida. Fotos de atores e referências sendo visitadas ao longo da leitura. Uma tarde toda dedicada ao filme. Laura Fajngold, nossa querida OLGA (no filme) leu a maior parte das 83 páginas do roteiro e trouxe vida aos personagens e rubricas do texto.
 
Patrick Leblanc, produtor executivo.
Adrian Cooper, diretor de fotografia e Mônica Palazzo, diretora de arte
Um pedacinho da Maira (ass. de arte), Cris Alves (diretora de produção) e Paula (continuista)
Siva Rama Terra, caracterização e efeitos; Luciana Buarque, figurinista e Laura Fajngold, atriz (ao fundo)
Mônica Palazzo, Guilherme César, produtor de Alagoas e Mateus Fanteli, músico.
Julia Zakia, diretora; Luciana Buarque, figurinista e Laura Fajngold, atriz
                                         

16 de setembro de 2010

DIÁRIO DE BORDO- locações em Alagoas


"Hoje fiz o eixo do Rio São Francisco, estive na Bahia, Pernambuco e no Sergipe , tudo no mesmo dia, no roteiro das locações transversais que podem aparecer no caminho cigano de Kaia. Piranhas é uma encruzilhada arretada (5 horas de Salvador, 2 horas de Aracaju, 2horas e 30 de Maceió e 5 horas do Recife).

Foi muito importante, revisitei as obras do Canal do Sertão que se conectam em Petrolândia-PE ao Canteiro de Obras da Transposição do Rio São Francisco. Um lugar loco, maluco, onde pela primeira vez senti e vislumbrei a idéia cantada, filmada e imaginada de Sertão Mar. As gigantescas represas do Rio São Francisco parecem ter dimensão de oceano pontuados por dezenas de Usinas, muito seco no inverno úmido, estágio do inferno no verão. 

O canteiro de obras da transposição abre mais um buraco gigantesco, faraônico e bilionário neste enredo de um rio que é obra divina e humana, pois no feito de deus o home já botou mão pesada em cima. É projeto da época do império, um canal que na força da gravidade vai rasgar bahia, pernambuco, alagoas, paraiba, ceará... o andarilho vai andar poder caminhar e derreter na monotonia do canal e cruzar o sertão a pé, seguro das paragens que vai cortar. 

E sem ser referência banal e direta, senti hoje nas estradas de retorno a Paulo Afonso que Deus, o Diabo, A Cigana e a Condessa fazem parte do mesmo baralho, que vamo desembaralhar, cortar e fazer o jogo lindo do filme."

um abraço, obrigado e boa noite
G. C

15 de setembro de 2010

Quatro séculos depois e nós aqui outra vez.



Lembro muito do ano que passei na Sérvia, tinha um amigo cigano de 14 anos e outro de 9. SRK e IOVAN. Eles me ensinaram a falar melhor o sérvio e me obrigaram a entender palavras no idioma deles. Os dois pediam dinheiro tocando sanfona, e sempre que ouvia o som, já de longe, corria pra procurar eles. Amigos verdadeiros num país estranho.
Quando iam embora, eu os acompanhava até o ponto de ônibus, e depois do beijinho de selo na boca, a cada vez, SRK, o mais velho, entrava no ônibus e nunca olhava pra trás, pra mais um tchau ou um olhar. Isso está no nosso filme, na cena em que Kaia vai embora do acampamento. Ela não olha pra trás. Por mais que a câmera espere ali no limite do acampamento, ansiosa por mais um olhar de Kaia, a cigana não olha.
Memórias de outros povos ciganos que transpassam pelo nosso filme.
Anjos e demônios nos acompanharão e depois de estarem na lata, seguirão viagem.

Quatro séculos depois e nós aqui outra vez.

declaração de amor

Dos armarinhos à construção civil, do artesanato às mais novas possibilidades digitais, a equipe de arte de um filme lida com o mundo ao nosso redor para inspirar-se, recriá-lo e inventá-lo para que os personagens trilhem suas histórias, o fotógrafo as ilumine e o diretor, as capte com maestria.

a matéria prima da matéria prima

Uma vez um fotógrafo me disse, na pré de um longa: a direção de arte é a matéria prima pra minha luz. Eu nunca tinha pensado com esse termo, justo matéria prima, algo que é a base do departamento de arte.

Hoje visitamos as locações escolhidas na região de Paulínia e arredores. Então resolvi escrever sobre locações, essas que são a base da matéria prima para as intervenções - drásticas ou não, por parte da DA.


o casarão da Condessa

Visitar locação é como uma largada oficial que foi dada.
E as visitas de locação são geralmente cansativas e produtivas! Hoje tivemos contato com locais mto queridos e decididos, e com uma possível mudança drástica para um dos ambientes do filme.
E isso é fantástico! Cada local visitado tem uma história própria, e nós, os apropriamos pra contar a nossa. Sempre buscando este algo imaginado; sempre tentando alinhavar o que passa pela cabeça de cada um.


Olhos atentos, mãos ansiosas para serem colocadas na massa, vontade de ver tudo "set up" pros atores darem mais vida àquelas paredes, pisos, texturas, formas e cores - percebidos agora, ou relidos.

O poder de abstração trabalha no limite, pra então ganhar papel, manipulação da imagem, estudos de tamanhos e proporções. A cabeça não pára (bem, não pára de pensar no filme há tempos), e quando temos um desenho sendo construído, desejos da direção, anseios da fotografia, visualidade da DA, cabeças se juntam, dizem, falam, empolgam-se, refletem, puxam repertórios, vontades, receios, afetos e sensações, e isso vai sendo amarrado no projeto.


layout-esboçado para feira

De um lado, temos as bases que muitas vezes antecedem nossa existência no mundo; e neste caso, temos também um espaço de 1200m2, vazio, esperando para que as bases venham: elas começam devagar, madeira, prego e martelo, tinta, vidro, tecido... matérias primas organizadas criam universos internos inventados, antes no silêncio do papel, depois, inspirados pela verdade das locações, mas cuja verdade narrativa é o que nos interessa ficar grafado na tela.


PS.: vale destacar o empenho do responsável pelas matérias-prima, nosso produtor de locação, Jardel Mello.

13 de setembro de 2010

PRIMEIRO DIA DE DECUPAGEM


Equipe no primeiro dia de decupagem.


Laura (ass de direção) e Mônica (dir de arte)

Adrian e Julia decupando

Adrian desenhando uma cena


Laura e Mônica


Julia e Adrian

30 de agosto de 2010

EQUIPE TÉCNICA

Essa foto foi feita no fim de 2008 na primeira leitura do roteiro do filme. Desde então o roteiro se transformou profundamente, nós conseguimos viabilizar a produção e muitas pessoas novas entraram para a equipe. Começaremos a filmar em menos de 2 meses !



Foto: Gui Mohallem

EQUIPE ATUAL

Roteiro e Direção: Julia Zakia
Produção executiva: Patrick Leblanc
Direção de fotografia: Adrian Cooper
Direção de arte: Mônica Palazzo
Figurino: Luciana Buarque
1 Assistência de direção: Laura Mansur
Caracterização e maquiagem: Siva Rama Terra
Som direto: Guile Martins e Gustavo Nascimento
Direção de produção: Cristina Alves
Produção Alagoas: Guilherme César
2 Assistência de direção: Ivi Vitoriano
1 Assistente de câmera: Fernanda Tanaka
Continuidade: Paula Mercedes
Cenografia: Renata Rugai
Ass de Arte: Maíra Mesquita
Contra regra: Hélio Villela
Cenotécnico: Vitor Aires
Produtora de objeto/arte:Manuela Ferrari
Ass de Figurino: Ingrid Mata
Fotografia de cena: Gui Mohallem e Zilda Zakia
Secretaria de produção: Fabíola Caetano
Produtor de locação: Jardel Mello
Platô: Doni II



  
Patrick, Hélio e Paula
 
Guardiões: Guile, Ric, Hélio e Patrick.
CONDESSA e KAIA- Georgette Fadel, atriz
 
CONDE- Ricardo Puccetti, ator. 

Fotos: Gui Mohallem

Georgette Fadel- Kaia e Condessa



Comecei a escrever o roteiro desse filme em 2005, e em 2007 fui para Sérvia morar um ano. Durante minha estadia, Georgette Fadel, querida amiga e companheira de teatro e cinema, foi duas vezes pra lá. Na primeira passamos um inverno de muita alegria, filmagens entre nós duas e muita escrita. Nesse período escrevemos a primeira versão do roteiro, que se modificou muito até hoje, mas que mantém a vibração da neve e amor que pairava por cada cidade e cada estação por onde passamos.
O filme nascia ali e agora, 3 anos depois, poderemos realizá-lo.
(ass. julia zakia)

OS CIGANOS FERRAZ



Esse é o Claudio, cigano Ferraz, alagoano, muito amigo nosso. Conhecemos ele há uns 5 anos e nesse tempo ele casou e teve dois filhos. Atento e esperto, ele nos ajudará a realizar esse filme, assim como já o fez com TARABATARA, o documentário que fizemos ali em Alagoas, com essa mesma família cigana, em 2007.
www.tarabatara.blogspot.com

Agora é a vez de voltarmos com a proposta de uma ficção, misturando atores (em minoria!) com vários ciganos Ferraz. Vamos contar uma história que não começou agora, veio de antes e vai pra depois.